2019 04.25
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STJ determina que policiais de SP envolvidos em tiroteio com agentes de Minas voltem ao trabalho

Condição é que delegados e investigadores fiquem desarmados; troca de tiros deixou 2 mortos em Juiz de Fora no ano passado.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, determinou nesta semana que quatro policiais civis de São Paulo envolvidos num tiroteio que deixou dois mortos no ano passado em Minas Gerais voltem a trabalhar, mas sem armas.

Em 19 outubro de 2018, dois delegados e dois investigadores paulistas trocaram tiros com outros três policiais mineiros em Juiz de

Fora. Câmeras de segurança gravaram a movimentação dos grupos (veja abaixo).

No total, nove agentes de São Paulo foram irregularmente à cidade mineira escoltar três empresários paulistas. Eles tinham ido a um hotel e ao estacionamento de um hospital negociar o empréstimo de R$ 14 milhões com um suposto agiota mineiro.

O agiota, por sua vez, estava escoltado ilegalmente pelos três policiais de Minas. Outros quatro homens que não seriam policiais davam cobertura ao grupo. O tiroteio começou quando os paulistas descobriram que as cédulas negociadas eram falsas.

Três homens foram baleados. Dois deles morreram após um atirar no outro: um empresário paulista e um investigador mineiro. O suposto agiota mineiro também foi atingido, mas sobreviveu.

Os quatro policiais de São Paulo chegaram a ser presos. Em dezembro o Superior Tribunal de Justiça os soltou após pedido da defesa deles.

Na terça-feira (23), o STJ atendeu a outro pedido dos advogados e determinou que os delegados Bruno Martins Magalhães Alves e Rodrigo Castro Salgado da Costa, mais os investigadores Caio Augusto Freitas Ferreira de Lira e Jorge Barbosa da Miranda, voltassem ao trabalho como policiais.

A condição imposta pelo Superior Tribunal de Justiça, porém, é que os policiais paulistas retornem desarmados ao serviço na Polícia Civil de São Paulo.

“O grupo fará trabalhos administrativos até que se conclua o processo judicial contra eles”, disse o advogado Leonardo Pantaleão, que defende os dois delegados. “As armas deles continuam apreendidas.”

Além dos quatro policiais paulistas, mais cinco agentes de São Paulo envolvidos no tiroteio em Minas voltaram a trabalhar sem armas. Todos respondem em liberdade pelos crimes de tentativa de lavagem de dinheiro e porte ilegal de arma de fogo.

Segundo Pantaleão, os três policiais mineiros que participaram do tiroteio mais outros quatro suspeitos tiveram as prisões preventivas decretadas pela Justiça de Minais Gerais. Eles estão respondendo pelos crimes de latrocínio, que é o roubo seguido de morte, organização criminosa e estelionato.

O G1 não conseguiu localizar a defesa dos mineiros para comentar o assunto.

Fonte: Portal G1